Histórico do Carnaval

       Na década de 1970 a imprensa reportava nosso carnaval mostrando que o motivo fantasioso para a não realização da festa era de que quem a fizesse seria castigado crescendo e rabo e chifre, hoje esta fantasia é opcional.

       Até 1981, São Luiz do Paraitinga era famosa por suas festas: do Divino, de São Luiz de Tolosa, de São Sebastião, Santa Cecília e Bailes Juninos, faltava a festa do pecado, que outrora fora condenada e proibida por um religioso, festa esta que poucos tentaram fazer, sendo até interrompida por uma enchente que muitos acreditavam ser castigo, mas persistiu que o rabo e o chifre eram mesmo os vilões.Por uma decisão pessoal assumi a culpa de provar que o rabo não nascia, mas o chifre não garantia, então lancei as serpentinas e os confetes.
Bem... deu no que deu, nasceu muita coisa, hoje somos o quinto do Brasil, pelo menos deu certo, todo mundo ganha. Muitos já chamaram a autoria, minha história é esta, quem quiser que conte a sua.

Zezé do Mikilim

 

        Sem sombra de dúvidas, originalidade é a palavra que descreve o que é essa festa, o Carnaval de São Luiz do Paraitinga tem em sua principal essência esta característica que não se observa apenas na festa, mas em todo universo da cidade.

        Vejam só, uma mãe de família preocupada que os filhos viajavam para fora na época de carnaval. Os filhos, músicos por natureza já que estamos falando da Vó Nira viúva de Elpídio dos Santos viajavam para tocar nas bandas de lá, enquanto que o futuro estava nas bandas de cá. Assim Vó Nira enxergou na oportunidade que aparecia com Zezé do Mikilim que a procurou para que o ajudasse na organização da nova festa a chance de ter os pupilos por perto e, diga-se de passagem, até os dias de hoje.

        Estes jovens irmãos e seus amigos também músicos tinham uma banda chamada Paranga que aos poucos foi descobrindo espontaneamente o caminho a seguir. As marchinhas se mostraram o ritmo ideal para agrupar todas as características do mosaico cultural que São Luiz do Paraitinga possuía e, nesta trajetória, outras personalidades da cidade foram se engajando, cada um com sua criatividade ajudando a compor a identidade do Carnaval de São Luís do Paraitinga.

        Compositores como Quadô, Pio, Dodô, Pedrinho Mariano, Galvão Frade, Thar, Afonso Pinto, Negão Santos, Marcos Rio Branco, Pedro Minga, Pedro Moradei entre outros criaram composições que marcaram para sempre a história e a trajetória do Carnaval de São Luís do Paraitinga.

        As fantasias são uma história a parte, Vó Nira conta que, sem muitos recursos, sugeriu que fossem confeccionadas com chita, lógico, todos torceram os narizes, “mas vó, é tecido para fazer sofá”, prontamente ela responde que decorando os contornos das flores com adereços vai ficar muito bonito, desta maneira a chita inicia a sua trajetória para se transformar em uma das marcas registradas do Carnaval de São Luís do Paraitinga.

        Vó Nira tinha mais uma preocupação, as crianças, que até então estavam de fora da folia, prontamente ela cria o Bloco Zona do Agrião com o objetivo de fazer os pais compartilharem com os filhos a folia, conceituando definitivamente a festa e colocando o rabo e chifre em segundo plano.

“Menina não fique aflita, põe a sua chita, vem pra rua dançar”...
Bloco Zona do Agrião

        Ao longo do tempo vários blocos surgiram com seus mitos e lendas locais, cada um criando sua fantasia, adereços, estandartes e seus bonecões. Um destes blocos foi o Enkukakuka, tendo como mentor e criador o Professor Luiz do Mero que com a ajuda de seus amigos Jacaré, Benito Campos entre outros colaboradores criaram o bloco e os bonecões que representavam os mitos e lendas locais e, pode acreditar, o bloco chegou a ter 18 bonecos. Os foliões vinham vestidos com fantasias macabras e mascarados, isso gerava um ar de mistério e anonimato. Hoje o Bloco do Urubu e o Bloco da Coruja são os representantes do grande bloco do Enkukakuca.


“Quem é quem é... é uma ave que Enkukakuka usada por Noé...”

        Outros blocos resgatam e homenageiam personagens da cidade, o Bloco do Juca Teles faz referência a este cidadão que faleceu no ano de 1962 e que foi um grande símbolo da luta pela preservação da cultura de São Luiz do Paraitinga, outro, o Bloco do Barbosa faz alusão ao motorista de ônibus Benedito Barbosa que hoje faz fretes e mudanças com seu caminhão alem é claro de cuidar do seu bloco.

“Juca teles amora em flor, boca do povo são palavras de amor”

        Hoje, 22 blocos desfilam pelo Centro Histórico durante os quatro dias de festividade, e outras manifestações espontâneas podem ser vistas ao longo dos dias, algum blocos realizam o chamado “esquenta banha” uma concentração antes da sua saída oficial, normalmente feita em seus redutos. O Bloco do Pé na Cova, por exemplo, reúne seus foliões não Bairro do Benfica onde fica o cemitério da cidade

“Entre nesse bloco amigo
Vem pular junto comigo
Vem que o negócio sério
É transa de cemitério”...


        O festival de Marchinhas Carnavalescas que antecede o carnaval funciona como uma locomotiva, que estimula e mantém viva a criação e tradição musical dos compositores de São Luiz do Paraitinga não só no carnaval, mas durante todo o ano com outros festivais a exemplo do Festival de Machinhas Juninas e o de Musicas Raízes.


        Desta maneira o Carnaval de São Luiz do Paraitinga chega aos dias de hoje consagrado como um dos melhores do Estado de São Paulo e dito por muitos como o quinto do Brasil, mas, sem sombra de dúvidas, isso tudo foi a espontaneidade e a simplicidade de um povo que apenas queria se divertir.


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