Lendas

 

        Antigamente, as lendas eram contadas na Praça e nas Ruas da cidade. Durante a noite, as Luzes eram tão fracas pois eram lamparinas... apagavam às 22h00 todos os dias, exceto nos dias de festa, sábado e domingo.

 

 

Saci

        
O saci Pererê, é um negrinho de uma perna só capuz vermelho na cabeça e que segundo os observadores, fuma em um cachimbo.
        É comum ouvir-se no mato um trique, isso é sinal de que ali tem um saci. Ele não é maldoso, gosta só de fazer certas brincadeiras, como amarrar o rabo de animais e a crina dos mesmos. O Saci Pererê faz suas brincadeiras e quando quer se esconder, vira um corrupio no vento (redondinho) e desaparece no espaço.
        Para se apanhar um saci Pererê, deve-se atirar uma peneira sobre o corrupio de vento, ai você prende o saci.
        Seu Amaro contou que fez várias tentativas para pegar o saci, mas não conseguiu. Ele disse que quem conseguir pegar um saci, teria uma vida repleta de festas e alegria

 

 

 

Lobisomem

        
Dizem que o lobisomem nasce, quando um casal tem sete filhos homens, o mais novo se torna o lobisomem da família. Para não acontecer isto, o 1º primeiro filho teria que batizar o último filho, geralmente a criança começa a virar lobisomem a partir dos (07) sete anos e isto acontece às noites de lua cheia, especialmente nas sexta feiras treze, a partir da meia noite.
        
Uma família antiga de São Luís do Paraitinga, que moravam na zona rural, nas proximidades do núcleo Santa Virgínia, tiveram muitos filhos, (o que era comum antigamente). O sétimo homem que nasceu, transformou-se em lobisomem, pois a família desconhecia a tradição para evitar que isso acontecesse. Mas nem o homem, nem a família sabia. Com o tempo, ele casou com uma mulher muito bonita, e decidiram morar na zona rural, nas proximidades de seus familiares.
        Certo dia, durante o percurso até a casa de seus familiares, o homem começou a passar mal e saiu correndo para o mato deixando sua esposa sem reação. Sem entender o que seu marido estava fazendo, permaneceu naquele exato lugar, passado alguns minutos e não aparecendo seu marido à mulher continuou a caminhar, foi quando apareceu um lobisomem querendo pegar o recém nascido. A mulher conseguiu subir em uma porteira na tentativa de proteger seu filho, o bebê estava com uma manta vermelha, a mulher não tinha o que fazer em cima da porteira, foi quando o lobisomem atacou ela e a criança, rasgando a manta.Os gritos da mulher fez com que o lobisomem desaparecesse no meio da mata.
        Passado alguns minutos apareceu seu esposo, a mulher indignada, perguntou se o marido não escutou seus gritos de socorro, que um lobisomem tinha atacado-as. O marido não acreditou na história de sua esposa, e começou a rir, foi quando a mulher viu entre seus dentes, fiapos da manta vermelha do bebê.

 

 

 

Coruja

        
Em toda parte, o canto da CORUJA é tido como pressagio de morte. Aqui também, onde chegaram a apelidar essa ave de CARTA-MORTALHA, esfregando o bico, a coruja produz um tric-tric acompanhado de um chiado mais ou menos prolongado.
        Quando uma coruja canta em cima de uma casa durante a noite, falam que algo de anormal vai acontecer por ali...

 

 

 

 

Porca dos Sete Leitões

        
Conta-se na Cidade de São Luís do Paraitinga, no tempo de seu auge econômico, atrás da capela das Mercês, na ladeira, havia uma porca com sete leitões.
Durante a noite, a porca descia a ladeira gritando, junto com seus leitões, atordoando os moradores daquele local. Ninguém ousa sair de sua casa quando a porca desce a ladeira com seu grito assustador.
Dizem que nada atinge a porca, e até hoje, quando menos esperamos no silêncio da noite, podemos ouví-la.

 

 

 

Corpo Seco

           
Conta-se na Cidade de São Luís do Paraitinga, que no tempo de seu surgimento, morou aqui um Português, de nome CABRAL, homem ruim e dissoluto.
        Suas casas ficavam situadas na saída da cidade lá para o lado de quem vai para Ubatuba.
        Era um homem mau não ajudava ninguém e procurava sempre amealhar fortunas sem ouvir as lamurias e necessidades do próximo.
        Certa vez, alguns frades mendicantes bateram-lhe a porta e pediram uma esmola, ele fez ouvidos moucos, soltou seus cachorros em cima dos frades, maltratou-os e não deu um vintém sequer. Os frades amaldiçoaram-no, por ter negados uma esmola.
        Quando este estrangeiro morreu, o cadáver ficou um corpo seco, por isso não podia ficar no cemitério, então mandaram colocá-lo no alto do morro, que hoje é o alto do cruzeiro.
        Dizem que este corpo seco ainda esta lá e que aparece às pessoas que atravessam aquela região durante a madrugada.
        Este corpo seco foi mais um dos carregamentos do Senhor Luiz Picada, que após o transporte, o mesmo amarrava o corpo seco em uma árvore e voltava de costas para que o mesmo não voltasse atrás dele.

 

 

Mula sem cabeça

         
Todos tremem ao ouvir o trote furioso da MULA SEM CABEÇA, mulher que, por castigo, ao ser concubina de sacerdote, na noite de quinta para sexta feira Santa, transforma-se em animal. Para evitar o bruxado deverá o padre amaldiçoar a companheira, sete vezes, antes de rezar a missa. A origem do nome talvez venha do uso privativo das mulas como animais de condução dos sacerdotes.
        Este ente, é extremamente veloz, sai numa disparada noite adentro, destroçando com patadas tudo a sua frente. A violência do galopes e a estridência do relincho são ouvidos longamente. Às vezes, soluça como uma criança humana. A mula corre sete freguesias numa noite, até a alvorada, quando retorna a forma humana.
        Em sua boca espumante e orlada de sangue, existe preso um freio de ferro, ela lança chipas de fogo pelas narinas e pela boca.
        Para desencantá-la, há de ser muito bravo e corajoso, é preciso tirar-lhe destramente o freio de ferro. Outra maneira, é causa-lhe qualquer ferimento, pois o sangue quebra o encanto e a mulher volta forma humana.
        A pesar do povo dizê-la sem cabeça, descrevem seus olhos de fogo, sua boca crispada, o freio de ferro e o relincho assustador.

 

 

 

 

O Conto dos Tropeiros

 


          
O Município de São Luís do Paraitinga, Antigamente, era um local que servia de dormitório para os tropeiros que vinham de Minas Gerais e outros Estados com destino ao porto de Ubatuba. Quando os tropeiros se reuniam no rancho que servia de dormitório, começavam a contar história de assombração. Esta foi contada por um tropeiro.
        Várias fazendas serviam de dormitório, sendo uma delas muito rejeitada ao descanso pelos tropeiros. Diziam que a fazenda era assombrada, ninguém conseguiria descansar lá, pois um homem muito grande corria atrás dos tropeiros com uma cavadeira na mão. Um tropeiro, muito corajoso disse que não tinha medo de assombração, e que iria dormir lá, porque os animais estavam muito cansados, e a próxima fazenda ainda estava longe.
        Durante a noite, uma coisa muito estranha andava em cima do rancho, falando incansavelmente que iria cair. O tropeiro que era muito corajoso, de tanto ouvir aquela voz de cima do rancho, dizendo que ia cair, respondeu para voz que caísse então ! foi quando caiu um homem muito grande e assustador com uma cavadeira na mão, pedindo para o tropeiro acompanhá-lo. O tropeiro, muito nervoso, pegou acompanhou o baita homem. Muito assustado perguntou ao homem onde iriam, e o homem grande respondeu que iriam no canto da fazenda. Quando os dois chegaram no canto da fazenda, o homem falou para o tropeiro cavoucar no canto, o tropeiro começou a cavoucar e encontrou uma panela. Ficou muito assustado porque a panela estava cheia de ouro e pratas, quando o tropeiro retirou a panela, o baita homem falou que o tropeiro tinha salvado sua alma, a panela de ouro e prata o aprisionava, e que agora sua alma poderia descansar em paz. O tropeiro ficou muito rico e repartiu uma parte de ouro e prata para os pobres, mandou celebrar uma missa, para aquele morto e nunca mais apareceu o tal homem nesta fazenda.

 

 

 

O Pilão

         
 Relatada por nossos avós e por nossos pais, corre uma lenda do tempo do café. Por ser planta cultivada pelos escravos que eram maltratados pelos barões e coronéis, o pilão por eles usados, era responsável por coisas estranhas que aconteciam por todo o Alto do Cruzeiro nas altas horas da madrugada.
        As pessoas ouviam socação de pilão que deixava o povo apavorado. Não conseguindo dormir, saiam de suas casas para ver o que estava acontecendo, e deparavam com o pilão, rolando a rua abaixo do Santo Cruzeiro, e destruindo tudo pela frente. Pilão este que pesava mais ou menos uns 100 kilos.
        O pilão rolava soltando fogo pela boca, quando chegava em baixo ninguém encontrava o pilão.
        Conta os mais antigos, que a cruz no Alto do Cruzeiro, foi colocada para que nunca mais o pilão rodasse. Após ser colocada esta cruz, o pilão nunca mais rodou rua abaixo.

 

 


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