Festa do Saci

Grito do Saci
São Luiz do Paraitinga
7 de setembro de 2003


Um grito de resistência
Marcia Camargos e Jô Amado

 

     Não é de hoje que somos diariamente bombardeados pelos estrangeirismos. Na televisão, no cinema, nas rádios e nos jornais, as personagens saídas das pranchetas de desenhistas norte-americanos e japoneses reinam quase absolutas. E não é só. Numa nação de língua portuguesa, como o Brasil, não se compra em liquidações, mas em sales, com tantos por cento off de desconto. Os internautas não têm endereço eletrônico, e sim e-mail. Pede-se comida delivery e assiste-se a programas pay-per-view. E, de uns anos para cá, passaram a comemorar o raloim, o dia das bruxas.

     Foi por tudo isso que um grupo de pessoas, preocupadas com o distanciamento progressivo de nossas raízes e a conseqüente perda da identidade, resolveu criar a Sosaci – Sociedade dos Observadores de Saci. Reunidos em São Luiz do Paraitinga, fundaram uma organização para pesquisar e difundir nossa riquíssima cultura popular.

     Mas, se o consumo dos produtos e valores importados vem se acentuando devido aos velozes meios de comunicação, que os trazem para dentro de casa, das escolas e das manifestações culturais com rapidez espantosa, vale lembrar que no início do século XX estudiosos como Monteiro Lobato já enfrentavam este problema aqui mesmo, no Vale do Paraíba. Irritado com a estatuária d'além mar reproduzida em ninfas, faunos, elfos e anõezinhos germânicos “que enfeiavam nossos espaços públicos”, ele denunciava: “Por que tais niebelungices, mudas à nossa alma, e não sacis-pererês, caiporas, mães d'água, e mais duendes criados pela imaginação popular?”

     Empenhado em conhecer mais de perto o lendário nativo, Monteiro Lobato convocou os leitores do jornal O Estado de S. Paulo a darem sua versão sobre o Saci. A repercussão da iniciativa, nas próprias palavras de Lobato, levou-o a idealizar um livro. Ironicamente, O Inquérito sobre o saci foi lançado em 1918, na fase mais sangrenta da I Guerra Mundial que se desenrolava na Europa. Sua obra, dizia ele, viera para despertar consciências adormecidas.

     Coincidência ou acaso da história, a SOSACI nasce também num contexto de conflagração, quando Estados Unidos e Inglaterra, potências admiradas e copiadas por um número cada vez maior de pessoas ao redor do planeta, desencadeiam guerras inaceitáveis para manter a hegemonia econômica. Daí a importância de uma entidade como a SOSACI, que resgate um emblema da cultura e do folclore brasileiros e da resistência do nosso povo. Espécie seriamente ameaçada de extinção no mundo globalizado, o Saci pererê, defensor da natureza, dos nossos costumes e tradições dá o primeiro grito de alerta e convida todos os simpatizantes da Iara, do Curupira, da Cuca, do Mapinguari e do Boitatá a abraçar sua causa.


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